SERVIÇOS FINANCEIROS

atm DO NOSSO JEITO

pluralidade de instituições, formas de transação, modalidades de autenticação e serviços customizados em milhares de pontos de presença leva inovação e diversidade tecnológica a grandes massas de clientes e à convergência dos mundos físico e digital

Por Vanderlei Campos

á 38 anos, quando o acesso online às redes nacionais de bancos e o uso do cartão com tarja eram os diferenciais disruptivos, o Banco24Horas surge como meio para instituições competitivas compensarem a capilaridade dos bancos dominantes. Hoje, os clientes dos grandes bancos, que atualmente compõem a sociedade da TecBan, têm nos ATMs compartilhados o mesmo ambiente com que estão acostumados na rede proprietária. Mais do que atender correntistas com cartões de dezenas de bancos e emissores, entre os mais 140 milhões de usuários atendidos anualmente, clientes de mais de 20 fintechs dispõem de saque e outros serviços; cidadãos desbancarizados passam a contar com as conveniências; e o sistema opera com interações por SMS, QRCode, além de 100% da rede estar habilitada para multibiometria.

“Na indústria financeira não existem disrupções pessoais. Conforme a evolução, os canais vão se sobrepondo”, resume Vitor Chiavelli, diretor da TecBan. “Nossos primeiros serviços foram criados para banco com conta-corrente. Quando as fintechs constataram que seu cliente também precisa de dinheiro, criamos o Hub Digital (para prestação de serviços no Banco24Horas). Para cada caso, nosso papel é agregar conveniência com todos os tipos de solução. Enquanto cresce o uso de e-wallets e aumenta o espaço para transações ponto a ponto, o mesmo cliente pode valorizar os produtos bancários tradicionais para investimentos”, exemplifica.

Com uma base de 23,7 mil ATMs, em 800 localidades, a TecBan mantém a maior rede independente mundial de autoatendimento em volume de saques

Com uma base de 23,7 mil ATMs, em 800 localidades, a TecBan mantém a maior rede independente mundial de autoatendimento em volume de saques e a quarta maior em quantidade de unidades. Nos últimos cinco anos, os investimentos totalizaram R$ 2,2 bilhões. Nesse período, a expansão foi alavancada pela estratégia de eficiência operacional de grandes bancos, de reduzir suas redes exclusivas e levar seus clientes ao Banco24Horas. “A partir de um acordo definido em 2014, o Projeto TecBan 2020, que entregamos em 2018, incluía a substituição de centenas de pontos de presença. Havia ineficiências em monitoração, abastecimento e operação da rede de ATMs exclusivos”, lembra Chiavelli.

Otimização do dinheiro

O diretor da TecBan menciona que 71% dos brasileiros ainda realizam pagamentos em dinheiro, fora as transações de consumo do dia a dia. Nesse contexto, a TecBan otimiza as operações de várias formas:

Com o Switch Interbancário, as instituições trocam disponibilidade e necessidade de numerário, otimizando o abastecimento para todos os lados. Por ser uma solução construída sobre blockchain, as regras são simplificadas e os custos reduzidos.

Nos ATMs, até maio de 2020 havia 1,3 mil unidades com capacidade de reciclagem de numerário, um total que deve chegar a 2,5 mil até o final do ano.

Além da entrega de numerário para portadores de cartões embandeirados, de banco ou correntistas com cadastro biométrico, com o Saque Digital, lançado em 2019, o serviço se estende a qualquer cidadão, bancarizado ou não. A facilidade permite autorizar saques por terceiros, com um código enviado por SMS. Os pagamentos podem ser gerados tanto pelos bancos associados, com débito em conta-corrente, quanto por fintechs e carteiras digitais. No primeiro ano de operação, foram feitos mais de 80 mil saques com essa alterativa.

Vitor Chiavelli, diretor da TecBan

Customização e escala

Os usuários de sistemas de autoatendimento percebem bem as dificuldades quando têm que lidar com ambientes diferentes do estilo do “seu banco”. Mais do que oferecer um serviço compartilhado com funcionalidades comuns, a proposta Banco24Horas é disponibilizar toda a riqueza de serviços, com as interfaces e os modos de operação de cada participante. “Não temos os nossos clientes. O usuário é sempre cliente de alguém. Portanto, temos que investir para tornar a rede universal”, explica Chavelli.

Ao mesmo tempo em que os bancos aproveitam mais a infraestrutura compartilhada, as instituições não renunciam à identidade que imprimiram em suas plataformas de atendimento. Isso inclui os aspectos visuais, a disposição de botões e até mesmo características do hardware, como ocorre com a autenticação biométrica. “Um banco usa artérias da mão, outro impressão digital e temos ainda que dar suporte a vários tipos de chip, leitura de QR Code, interação por celular e todas as tecnologias usadas pelos associados” nota o diretor.

Chiavelli reconhece que mesmo para os grandes fornecedores globais o atendimento às demandas da TecBan exigem cadeias de suprimento, desenvolvimentos e integrações bem mais complexos do que em outras redes de serviços compartilhados. “É incomum é só é possível com escala. Por exemplo, o berço dual (para múltiplos leitores biométricos) foi um pedido acima de 20 mil. Com poucos milhares não seria possível essa multiplicidade de tecnologias”, explica. “O hardware capaz de atender a tudo isso é caro. O investimento em um ATM com recicladora de notas fica entre R$ 80 mil e R$ 130 mil”, menciona.

Até junho deste ano, clientes de cerca de 20 fintechs e bancos sociais conectados já contavam com opções de consultas, saques e outros serviços no Banco24Horas

Competitividade, agora no mundo digital

Nos primeiros passos da digitalização de serviços bancários, na década de 80, a disponibilidade de uma infraestrutura compartilhada foi a alternativa para muitas instituições levarem a seus clientes as facilidades das transações online. Já naquela época, isso permitia que as empresas continuassem a se concentrar em produtos especiais, atendimento a nichos e outros diferenciais, ao mesmo tempo em que ofereciam os níveis de conveniência que passavam a fazer parte da expectativa do público. 38 depois, a TecBan lança o HubDigital funciona como um grande habilitador de entrantes no setor financeiro.

O HubDigital foi lançado no segundo semestre para acelerar a entrada de fintechs, bancos sociais e instituições de pagamento no Banco24Horas. No primeiro trimestre de 2020, a plataforma já movimentou mais de R$ 13 milhões em saques.

Até junho deste ano, clientes de cerca de 20 fintechs e bancos sociais conectados já contavam com opções de consultas, saques e outros serviços no Banco24Horas. Mais de 100 empresas ainda estão em processo de ingresso e toda semana a TecBan anuncia novos participantes do HubDigital.

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Infraestrutura segura e versátil para serviços em massa

Enquanto cada emissor é responsável por monitorar suas respectivas transações, a TecBan tem que deixar todo o resto do ambiente seguro para todos. A começar pela proteção do próprio numerário nas máquinas. “Temos o mercado mais complexo do mundo (de segurança física). Na Europa há ataques de explosão de ATMs com gás, o que não é possível com as unidades aqui, cuja parede do cofre tem quatro vezes a espessura. Os bandidos então começaram a assaltar pedreiras e usar dinamite”, conta. “Junto à resposta a esse tipo de risco, de roubos com força bruta, temos que prestar atenção em vulnerabilidades na autenticação biométrica, nos chips e aplicar várias tecnologias de prevenção e análise de segurança para monitorar o comportamento da máquina e no ponto de presença”, acrescenta.

Fintechs - HubDigital

A versatilidade tecnológica e as funcionalidades de segurança acabam tornando o Banco24Horas uma plataforma muito adequada a vários serviços digitais críticos, além de transações financeiras. Junto a isso, há 15 anos a TecBan começou a orientar sua capilaridade às localidades com menor  acesso a serviços bancários. “Nas periferias estão as faixas de público que mais usam dinheiro físico e carecem de acesso ao sistema”, justifica Chiavelli. Embora não revele acordos em andamento, o diretor lembra as várias situações em que se precisa de interações entre os mundos físicos e digitais, ou entre ações online e presenciais. “Troca de senha de cartão; desbloqueio de celular; prova de vida; aplicações com digital, QR Code, ou biometria; cadastramento e várias atividades críticas, que podem envolver ou não alguma transação financeira, podem ser facilitadas”, exemplifica. “Tudo é questão de volume e custo/benefício”, esclarece.

Banco24Horas na Cidade de Deus, no Rio de Janeiro.º

Literalmente ao lado do cliente

“O pessoal saca o dinheiro, sem ter que pegar ônibus, e já sai gastando no comércio por aqui. Do primeiro ao quinto dia do mês, o Banco24Horas fica lotado e as vendas aumentam bastante”, conta Marco Antônio da Silva, vendedor de churros, que trabalha próximo ao Banco24Horas na Cidade de Deus, no Rio de Janeiro.

Assim como a unidade da Cidade de Deus, em 2009, Paraisópolis, em São Paulo, recebia o primeiro Banco24Horas instalado na comunidade. A iniciativa contou com a contribuição da editora deste Anuário, que identificou um supermercado como o ponto de maior conveniência. Em quatro meses de operação, o volume de transações justificou a instalação de mais dois terminais.

No ano passado, região Nordeste recebeu 46% dos novos equipamentos, em uma expansão que atingiu 117 novas cidades e cerca de 4,5 milhões de pessoas.

Junto à instalação de novos ATMs, a TecBan lançou também uma versão móvel do Banco24Horas, embarcado em um caminhão, para atender a demandas emergenciais e ou temporárias.  

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