PONTO DE VISTA

Ecossistema ressalta importância de cada “tijolo” na construção do open banking

Apesar da relevância da regulação, executivos destacam a necessária contribuição de empresas de vários setores para que toda a revolução esperada aconteça de fato

papel fundamental exercido pelo Banco Central na construção da estrutura legal para o funcionamento do open banking no Brasil está sendo apreciado inclusive no exterior.

   Mas, como todo grande edifício é feito de pequenos tijolos, é certo que, na prática, tudo que o open banking promete só será entregue se cada um dos “tijolos” que compõem essa grande obra fizer sua parte. É isso o que alguns dos maiores especialistas no assunto deixam claro nesta seção Ponto de Vista.

   Há quem ressalte a importância do fornecimento das melhores APIs. Também tem os que falam da construção de novos modelos de negócios na concessão de crédito.

   Por outro lado, é igualmente grande a preocupação com a credibilidade do sistema. Muitos apontam exigências como a observância dos padrões PCI, criptografia, identidade digital e outras tecnologias.

   O certo é que no “novo normal”, o open banking será visto por todos os lados como grande marco de referência da direção a seguir, mas, para se aproximar dele, cada um terá de saber escolher os melhores tijolos.

   Que ao final dessa leitura você já consiga selecionar de quais deles irá precisar, de modo a desfrutar do melhor desse novo e mágico ambiente.

Paulo Deitos

Diretor executivo da ABFintechs

A revolução do mercado financeiro e as fintechs

   As fintechs experimentam um crescimento cada vez maior no Brasil. Já são mais de 600 operando no país. A Associação Brasileira de Fintechs (ABFintechs) nasceu com o objetivo de representar essas empresas junto aos órgãos. Para isso, desde sua fundação em 2017, a Associação tem realizado um trabalho em conjunto com a Comissão de Valores Mobiliários (CVM), o Banco Central (BC) e a Superintendência de Seguros Privados (Susep) para suprir as necessidades das fintechs que tanto vêm auxiliando a vida financeira de muitos brasileiros e pequenas empresas.

   Esse trabalho rendeu diversas conquistas importantes, como a Instrução CVM 588, um crowdfunding de investimento para financiamento de empreendedores. Estamos estudando junto ao BC a criação do correspondente digital para ajudar a distribuir crédito em momentos de emergência, como este que o Brasil e o mundo vivem hoje.

   Em contato direto com o Banco Central para a autorregulação do open banking e do pagamento instantâneo (PIX), a associação passa informações e recomendações das fintechs para o BC. Comprometidos em representar as fintechs, levamos suas dores e soluções para que possam continuar operando de forma significativa no mercado financeiro do país. Temos certeza de que vamos colher muitos frutos positivos desse trabalho em conjunto.

André Oliveira
Fundador e CEO da Adimplere

O impacto do Open Banking na área de Collections

   Nos últimos cinco anos, tivemos evoluções significativas na área de collections, possibilitadas pela digitalização e pela automatização das operações de cobrança, além da mudança comportamental do consumidor. A jornada de negociação em perfis próximos da base da pirâmide etária é significativamente mais digital que perfis no meio ou no topo da pirâmide. O open banking tem o potencial de catalisar a digitalização em toda a base, ao possibilitar que o compartilhamento de informações bancárias diminua preços e spreads de serviços financeiros para o consumidor final – que tende a ser mais explorado por iniciativas digitais. Outra tendência que deve ser acelerada é uma maior comunicação entre as áreas de risco e crédito e de cobrança, que tem sido impulsionada pelo crescente interesse em maior domínio da jornada do cliente, pela LGPD e agora pelo open banking. Por esses fatores, enxergamos um ambiente propício à forte colaboração das collections tech, que têm desenvolvido uma área de manipulação de dados de múltiplas fontes com os bancos, fintechs e outros credores.

Rosine Kadamani

Cofundadora da Blockchain Academy

Formação robusta 

   Somos diariamente inundados por conteúdos dos mais variados: notícias, opiniões, fotos e outros que consumimos muitas vezes superficialmente, ávidos por acessar a informação seguinte disponível. 
Não falta informação, mas nos falta discernimento. Precisamos ler com mais cautela e profundidade, além dos títulos. Precisamos buscar a origem da informação antes de repassá-la. Precisamos de interpretação de texto.

   No universo das aceleradas transformações digitais, que estão causando verdadeiras disrupções no mercado financeiro, assim como nos negócios e nas relações em geral, não é óbvio saber por onde começar a se capacitar para aprender de forma estruturada.

   Esse é o propósito da Blockchain Academy: ensinar, de forma didática, estruturada e neutra, os principais movimentos do mercado financeiro e tecnológico, alcançados com base em discussões iniciais envolvendo criptomoedas e blockchain.

   Os cursos são indicados para todos os profissionais da área de TI, jurídica, pessoas de negócios e curiosos em geral que querem não apenas explorar essas transformações de forma superficial como verdadeiramente desenvolver um robusto espírito crítico.

Christian Ribas

Founder Certdox Gestão de Documentos e diretor do Núcleo-BR

Do Coronavírus para a transformação digital

   Neste momento complexo e cheio de incertezas, temos desafios imensos. É imperativo readaptar os negócios e realizar uma verdadeira transformação digital que torne os processos mais eficientes, contactless e enxutos.

   No entanto, analisando com serenidade, percebemos que os recursos necessários para operar digitalmente já existiam antes da crise e se encontram disponíveis para serem utilizados e otimizados. Isso nos leva a refletir sobre o motivo pelo qual mantínhamos tantos processos presenciais. A capacidade de liderar processos de transformação e de assumir riscos oriundos da inovação e da experimentação de novas soluções é, e sempre será, o diferencial para conquistar um patamar elevado de eficiência e de satisfação dos consumidores.
Atualmente, dispomos de plataformas que possibilitam o ciclo de formalização e contratação de produtos e serviços de modo totalmente digital, com serviços de assinaturas eletrônicas integrados que viabilizam uma esteira completa com as entidades de registro eletrônico de forma conveniente, ágil e eficiente, eliminando todos os processos físicos de emissão de contrato, envio ao cartório, conferências, conciliações operacionais etc.

   Desejamos que esse período tão difícil possa potencializar os aprendizados de superação e aceleração digital, mantendo os benefícios existentes e criando novas possibilidades.

Egio Arruda Jr.

CTO da Easycrédito

Bem-vindo ao Open Banking

   Habemus open banking! Com a circular nº 4015, expedida pelo Banco Central, podemos finalmente falar que o open banking chega ao Brasil, mesmo sabendo que ainda estamos dando os primeiros passos.
Ainda vejo que muitas pessoas não enxergaram a real oportunidade que o momento está trazendo. O principal objetivo do Banco Central é que o open banking leve ao mercado financeiro maior competitividade, eficiência e transparência. A ideia é que as instituições financeiras compartilhem dados por meio da integração, permitindo que o cliente final possa, por exemplo, usar seu histórico de pagamentos em um determinado banco para solicitar crédito em outro.

   Atualmente, mais de 80% de todo o crédito que circula no Brasil está nas mãos dos cinco maiores bancos. A magia do open banking reside no fato de que qualquer cliente poderá pedir que seus dados sejam repassados a outras instituições financeiras, a fim de conseguir taxas e condições de crédito mais atrativas. Essa reviravolta criará um cenário mais próximo de mercados como o dos Estados Unidos, onde, segundo estudos feitos pela Experian, em março de 2019 as fintechs já detinham 49% dos empréstimos pessoais feitos sem garantia. Extrapole esse cenário para todos os demais serviços oferecidos pelo sistema bancário e você começará a entender o tamanho do impacto do open banking na nossa relação com esse mercado e seus produtos.

Gustavo Silveira

Diretor técnico First Tech

A base sólida é essencial

   Sem base sólida, não há estrutura que sustente um projeto. E, quando se trata de segurança em serviços essenciais, como o Sistema de Pagamentos Instantâneos (SPI/PIX) e o open banking, mais que necessária, ela é fundamental. A explosão de usuários é certa e não se pode colocar a credibilidade das empresas em risco.

   Pela experiência acumulada ao longo de 25 anos, a First Tech sabe que a criptografia é a âncora de confiança de todo o sistema financeiro. Integridade e sigilo da informação nunca podem estar sob risco.

   Para fazer frente aos novos desafios que o mercado financeiro impõe, a First Tech desenvolve soluções de criptografia capazes de atender a um alto volume de transações e de disponibilizar múltiplas configurações de segurança e topologia, como assinatura digital, geração de senhas fortes, guarda de chaves, entre outras funcionalidades.

   A nova rede de SPI impõe velhos desafios para a indústria de cartões, e o melhor caminho para superá-los é recorrer a quem tem soluções reconhecidas, em acordo com o PCI. Exercer as melhores práticas só é possível com conhecimento e forte gestão da criptografia. É preciso inovar sem perder a segurança.

Lincoln Ando

Founder da idwall

Transformação digital para identificação é um dos pilares do Open Banking

   O open banking é, antes de mais nada, um modelo de negócios user-centric. Ele nasce da necessidade de atender às expectativas de um público cada vez mais exigente e do entendimento de que os dados não pertencem ao banco ou ao governo, mas única e exclusivamente a seus titulares.

   Porém, oferecer serviços dessa forma exige um nível altíssimo de cuidado com a segurança e a privacidade de dados – outro tema intensamente discutido hoje. O open banking pode revolucionar o mercado financeiro, mas, para que isso aconteça, é preciso revolucionar também os processos relacionados a identidade e privacidade.

   As estratégias tradicionais de verificação de identidade, por exemplo, não funcionam no open banking. É preciso pensar em medidas de validação baseadas em uma identidade digital enriquecida e bem estruturada, que forneça a segurança de dados, a agilidade e a inovação necessárias para esse tipo de serviço e que seja igualmente user-centric e preocupada com a privacidade e a autonomia do usuário.

Edgardo Torres-Caballero

Diretor-geral LATAM para Mambu

Ousadia ou morte

   O setor financeiro mudou tremendamente ao longo da última década, e acelerou drasticamente essa trajetória diante da pandemia que estamos vivendo. A tecnologia tornou-se parte fundamental do negócio e o que veremos nos próximos dez anos fará com que os bancos como os conhecemos hoje pareçam algo da era glacial. Isso porque, no passado, os bancos eram construídos para durar e, agora, precisam ser construídos para mudar e evoluir constantemente. O mercado vem sendo ocupado por novos entrantes, que estão reinventando a oferta de serviços com processos automatizados, fluidos e com novas experiências digitais. O grande desafio dos bancos está em adotar a agilidade apresentada hoje pelas fintechs e bancos digitais e eliminar aos poucos a experiência bancária do passado. Para a grande maioria dos bancos tradicionais, a rapidez com que essa mudança vem acontecendo é uma ameaça – e séria. Seus pesados investimentos em sua estrutura legada de TI se transformaram em uma camisa de força. É preciso que essas instituições adotem uma postura ousada e se livrem das amarras criadas por seus legados, optando por plataformas ágeis, flexíveis e nativas em nuvem.  

Braulio Lalau de Carvalho

CEO da Orbitall, empresa do Grupo Stefanini

Reinventando os serviços financeiros

   O mercado está se transformando e as novas tecnologias podem acelerar os projetos de inovação. Nesse contexto, destacam-se as soluções que conseguem atender às necessidades do cliente com agilidade, eficiência e segurança. A ideia é descomplicar e realmente oferecer aquilo que o consumidor deseja para facilitar seu dia a dia.

   Com base em um processo de transformação cultural e digital, diversas empresas estão investindo em estratégias de customer centric para ter sucesso em um mercado altamente competitivo. É o caso da Orbitall, que desenvolveu a solução “Banking in a Box”, uma plataforma modular para simplificar a oferta de soluções financeiras normalmente disponibilizadas por um banco.

   O objetivo é criar linhas de receita e de otimização de custos e resultados, oferecendo, por exemplo, abertura de conta digital, atendimento e cobrança, construção de canais digitais, processamento de contas, cartões private label ou bandeirados e core bancário.

   Em um cenário cada vez mais digital, em que o consumidor assume o centro das decisões, é fundamental acompanhar a jornada do cliente e compreender suas expectativas. A reinvenção dos serviços financeiros é uma forma de oferecer exatamente o que ele precisa, de maneira personalizada e intuitiva.

Fernando Tasso

Founder CEO da Prodist Technologies

Criptografia: um ponto nevrálgico

   Novos arranjos de pagamento surgem constantemente. Open banking, pagamentos instantâneos (PIX), pagamentos do WhatsApp fazem parte dessa era digital e trazem grandes desafios.

   A aplicação criteriosa da criptografia, orientada para a obtenção de características indispensáveis, como estabilidade, performance, confiabilidade e escalabilidade, é requisito fundamental para a segurança do ecossistema financeiro.

   O sucesso dos pagamentos digitais está intimamente ligado ao uso da criptografia. Em todas as iniciativas, recursos de criptografia, aplicados na proteção da comunicação e na autenticação das partes envolvidas, garantem a praticidade e a inovação prometidas.

   Temos orgulho de participar dessa história desde seu marco inicial, com a implementação do SPB em 2002. Nosso foco em reduzir riscos operacionais com simplicidade e confiabilidade propiciou uma arquitetura de soluções robustas, capazes de ofertar SLA de até 99,96%.
Hoje, mais de quarenta instituições financeiras compõem nossa carteira de clientes. Estamos escrevendo o futuro, processando milhares de transações por segundo e movimentando bilhões de reais por dia, com eficiência e responsabilidade.

Gustavo Victorica

Cofundador da Recargapay

Democratizar os pagamentos móveis como meio de inclusão

   A transformação digital modificou os mais diversos setores da economia. Tendo o digital e o consumer centric como alicerce de fundação, novos modelos de negócios surgiram, o que permitiu aos consumidores o acesso a novos serviços. No setor financeiro, não poderia ser diferente.

  De acordo com uma pesquisa realizada pela Fundação Getulio Vargas, o Brasil já conta com 424 milhões de dispositivos digitais, sendo 56% deles smartphones. Com a popularização desses recursos, vieram soluções que disponibilizam, em poucos cliques, serviços bancários. É o caso da RecargaPay, fintech que oferece desde pagamento de contas até transferência de dinheiro, recarga de celular e cartões de transporte, de maneira prática e segura.

   É olhando para a transformação digital que a RecargaPay propõe, em sua missão, democratizar os pagamentos móveis. Para usar o app, não é necessário ter uma conta em banco, o que facilita o acesso para milhões de brasileiros. Cada vez mais é importante oferecer inclusão financeira e contribuir para a democratização dos meios de pagamento no Brasil.

Givanildo Luz

Diretor presidente da Saque e Pague

Rumo ao Open Banking

   O open banking vai mudar a dinâmica do mercado financeiro, impactando instituições financeiras, bancos digitais e fintechs. Mais que isso, mudará a vida das pessoas, pois possibilitará à população novos canais de acesso a soluções financeiras por meio da tecnologia, que é o que a Saque e Pague faz desde 2010.

   Esse movimento de abertura do mercado dará liberdade ao usuário para fazer suas escolhas financeiras. É intrínseco aos valores da Saque e Pague desenvolver soluções que integrem toda a rede e proporcionem autonomia e segurança para os usuários escolherem onde vão interagir e ser impactados. Dessa forma, as pessoas terão acesso a esses serviços financeiros com uma melhor experiência de autoatendimento, com simplicidade e resolvendo de fato o dia a dia delas.

   A Saque está preparada para apoiar as instituições financeiras na transição e utilização dos seus APIs. Atualmente, a empresa está presente em todas as regiões do Brasil e, em mais de 60 municípios, é a única opção de autoatendimento para a população. O open banking representa mais acesso a diferentes transações financeiras para as pessoas, sejam elas bancarizadas ou não.

Rafael Stark

Founder e CEO da Stark Bank

API: chave para a mudança

   O mercado financeiro brasileiro está tecnologicamente na década de 90. Os bancos já deveriam ter APIs há mais de dez anos, mas eles não entendem o que é de fato open banking. É um problema de mindset. O Banco Central está tendo um protagonismo muito grande ao forçar a adoção de APIs até o final de 2021.

   Como engenheiro e desenvolvedor, passei minha carreira fazendo integrações com empresas de segmentos diferentes que tinham APIs abertas. Ao perceber a tecnologia ofertada pelos bancos para empresas fazerem suas operações (envio de arquivos txt padrão CNAB), uma forma arcaica, manual e passível de fraude, decidi criar a Stark Bank e oferecer uma API para que empresas possam simplificar processos, facilitar conciliação e escalar operações financeiras com segurança.

   Estamos felizes em ser pioneiros do open banking no Brasil, trazendo o mindset da open economy. Por meio de nossas APIs, estamos contribuindo com a automação e a transformação digital da área financeira de nossos clientes. Assim, a Stark Bank segue seu propósito de impulsionar empreendedores que tal como nós querem mudar o Brasil para melhor por meio de tecnologia.

Heloisa Sirotá

Líder de operação da TransferWise no Brasil

Transparência é missão essencial nas finanças

   Se já sofremos para entender todos os números e siglas quando se fala em finanças, a conversa sobre transferências internacionais não é exceção: IOF, taxa de câmbio, tarifas… Desde que foi fundada, em 2011, a TransferWise tem como missão lutar por transparência, e no ano passado fizemos uma pesquisa em parceria com a Rock Content para entender a visão dos brasileiros sobre as transferências internacionais.

   Dos 2.400 entrevistados, 94,6% afirmaram entender quanto pagam por uma transferência internacional. Porém, somente 8,7% sabiam que não pagam só uma tarifa fixa, mas também um spread. E, se em termos regulatórios o Brasil está na vanguarda, com a obrigatoriedade de mostrar o valor efetivo total (VET), as instituições dificultam a compreensão dos custos. Por isso, na TransferWise convertemos usando o câmbio comercial, e o cliente sabe desde o primeiro contato exatamente quanto vai pagar e quando o destinatário vai receber. Assim, nossos mais de 7 milhões de clientes pelo mundo economizam todo ano mais de 1 bilhão de dólares em tarifas. Isso se torna ainda mais essencial em tempos de grande oscilação cambial, em que a transparência nas taxas e tarifas evita surpresas.

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